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PRESIDENTE DO SINPOLPI ESCREVE ENSAIO E DESTACA A IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO TÉCNICA E CIENTÍFICA NA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL
Publicado em Jan. 28, 2026, 5:26 p.m.
Atualizado em Jan. 29, 2026, 9:37 a.m.
Em seu ensaio, o dirigente sindical defende o fortalecimento da identidade do Oficial Investigador e a valorização do ensino baseado em método, técnica e experiência prática.
O presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado do Piauí (SINPOLPI), Isaac Newton Vilarinho da Silva, escreveu um ensaio intitulado “A Técnica e Cientificidade da Investigação Criminal Começa na Formação: Quem ensina a investigar e por que isso importa”, no qual propõe uma profunda reflexão sobre o papel da formação profissional na consolidação da identidade e da qualidade do trabalho investigativo na Polícia Civil.
No texto, o dirigente sindical chama atenção para um equívoco ainda presente dentro e fora da instituição, a falsa ideia de que a investigação criminal é uma atividade meramente empírica ou intuitiva. Pelo contrário, segundo ele, a atividade investigativa exige método, técnica e rigor científico.

“Para se chegar a uma determinada conclusão na investigação criminal, o Oficial Investigador não atua de qualquer maneira. Ao contrário, sua atuação se dá a partir de métodos sistematizados e de uma lógica investigativa baseada em conhecimentos específicos”, afirmou Isaac.
Isaac Newton destaca ainda que a Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis consolidou, de forma definitiva, o reconhecimento legal da natureza técnica e científica da atividade policial civil. O artigo 29 da norma estabelece que todos os policiais civis devem atuar com “imparcialidade, objetividade, técnica e cientificidade”.
Apesar desse avanço legal, o presidente alerta que ainda existem desafios importantes, especialmente no campo da formação profissional. Ele relata que, em experiências vividas na Academia de Polícia, muitos alunos sequer conseguem explicar por que a função do Oficial Investigador é técnica e científica.
“O equívoco não é do policial, mas de uma estrutura formativa que falha em consolidar a identidade do cargo”, pontuou.
Um dos pontos centrais do texto é a defesa de que as disciplinas diretamente ligadas à investigação e à inteligência policial sejam ministradas, preferencialmente, por Oficiais Investigadores, que reúnam conhecimento teórico e experiência prática. “Quando a formação do futuro policial é dissociada da carreira que efetivamente executa a função, o aluno tende a enxergar a investigação como um aglomerado de tarefas isoladas, e não como um processo científico sistematizado”, escreveu.
O texto também cita a própria Lei Orgânica Nacional, que prevê que o corpo docente das escolas de polícia seja composto, preferencialmente, por integrantes da instituição com notório saber, experiência comprovada e qualificação técnica.
Para o presidente do SINPOLPI, o ensino da investigação criminal precisa ir além da teoria, incorporando exercícios práticos, simulações de casos reais e a demonstração concreta de como o método científico é aplicado no dia a dia da atividade policial.
“Não se pode esquecer que o trabalho do Oficial Investigador repercute substancialmente na persecução criminal e pode determinar se o cidadão será ou não privado de sua liberdade”, ressaltou.
Ao final, Isaac Newton reforça a necessidade de repensar a composição do quadro docente nos cursos de formação da Polícia Civil, defendendo que a valorização da identidade do cargo e da experiência prática é essencial para a formação de profissionais cada vez mais qualificados e preparados. A reflexão proposta pelo presidente do SINPOLPI se soma à luta histórica do sindicato pela valorização dos policiais civis de carreira, pelo reconhecimento da natureza técnica e científica da investigação e pelo fortalecimento institucional da Polícia Civil do Piauí.
Clique no PDF abaixo para ler o ensaio completo:
A Técnica e Cientificidade da Investigação Criminal Começa na Formação